Comentário sobre os textos "Nosso programa" e "Imagem com computador"
Em seus textos, Flusser aborda três formas diferentes de entender e explicar a vida humana. Na visão finalística, influenciada pelo misticismo e religiosidade, tudo é guiado por um propósito, uma meta final, oscilando entre a ideia do fatalismo, em que todas as coisas estão predestinadas, e a arbitrariedade, em que tudo está livre para ser feito. Na visão causalística, influenciada pela ciência, tudo acontece devido a algo que aconteceu antes, sendo assim, o mundo funciona pela ideia de causa e consequência, nessa vertente, a liberdade é parcial, visto que tudo depende do seu predecessor, mas, existe uma certa liberdade por não existir conhecimento do que vem após. Já na programática, que têm substituído as últimas duas, a vida é um programa, em que o acaso tem papel crucial, e as coisas acontecem por um acaso programado, não por predefinição ou causalidade. Levando o homem, que antes era criador, a um papel de jogador, uma vez que passa a lidar com possibilidades já programadas, como na câmera fotográfica, perdendo grande parte da liberdade criativa e crítica das telas e pincéis (isso sendo, um exemplo de acaso programado). Por fim, o autor sugere, por meio da afirmação "A liberdade é concebível apenas enquanto jogo absurdo com os aparelhos" que, para preservar nossas liberdades, devemos aceitar os absurdos da nossa existência e aprender a jogar, para que dessa forma, nos tornemos jogadores, e não peças do jogo. Buscando desafiar a passividade que essa nova realidade nos coloca e passarmos a pensar criticamente sobre o mundo contemporâneo, dialogando com seu texto “Filosofia da Caixa Preta”.

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